Reportagem

Posted in música with tags , , , , , on dezembro 4, 2009 by tvweb100recurso

Bytes musicais

Dos bilhões aos downloads

No dia 5 de novembro, quinta-feira, às 18 horas, o Eletronika 2009 recebeu o renomado executivo da indústria fonográfica, André Midani

O nascimento e a decadência da Indústria Fonográfica

André Midani iniciou a palestra citando três conceitos. Criatividade, criar algo do nada, inédito, o quê, para ele, é a força motora da sociedade. Tecnocracia, o domínio dos aspectos técnicos sobre as sociedades humanas. E novas tecnologias, as mudanças sucessivas que conduzem, a princípio, ao aprimoramento técnico das condições humanas. “Hoje a criatividade está a serviço da tecnocracia e novas tecnologias, ao invés do contrário”, alarmou, com efeito. De acordo com Midani, os tecnocratas submeteram os criadores, em um contexto de busca incessante do lucro, e não da qualidade artística.

Durante o debate Midani teceu uma análise histórica da Indústria Fonográfica. Segundo ele, nos anos 30 surgiu o interesse empresarial sobre a música. Posteriormente, na década de 50, grandes gravadoras, como a EMI, conceberam uma internacionalização do mercado musical, e partiram rumo a uma conglomeração, vista na compra de gravadoras de menor porte, como a Capital Records, e outras filiais na Europa e América Latina. Com o surgimento do Rock and Roll houve um crescimento comercial fonográfico. “Os custos com artistas e intérpretes se tornaram cada vez maiores”, comentou. A Indústria Fonográfica lucrava cifras exorbitantes, os conglomerados de comunicação, as gravadoras multinacionais, tinham suas ações na Wall Street em crescente valorização. Por esse período, em torno do começo dos anos 60, os tecnocratas se apoderaram da Indústria Fonográfica, argumentando que seriam melhores administradores da mesma. Midani frisou que os tecnocratas não tinham e não tem relação com os artistas e suas produções, mas sim com os números, cifras e desejo de lucro comercial.

O palestrante falou, também, sobre o Star System, que em suas palavras baseia-se na “fabricação de estrelas que façam sonhar”. Em seguida explicou as estratégias das gravadoras para a criação e consagração das estrelas da música. De acordo com Midani, o primeiro e o segundo disco serviam como teste de receptividade pela sociedade e o mercado, durante um período de três ou quatro anos, em que havia a criação de um relacionamento entre o artista/banda e seu público. O terceiro disco surgia, então, como uma possível recuperação financeira, e uma tentativa de vincular a estrela pop e seu público pelo resto de suas vidas.

Neste momento do debate, Midani soltou mais uma de suas expressões de efeito. “É da música que a Indústria Fonográfica nasceu. E é a indústria que está matando a música”. Prosseguiu falando sobre uma tendência que surgiu na década de 60 e consagrou-se nos anos 80. O foco passou dos artistas para as músicas, isto é, as canções ganharam mais importância comercial. “O sucesso comercial de uma canção dura em média nove meses”, argumentou. Na década de 80 nasceu o CD (Compact Disc). As transformações mais significativas para o bolso das gravadoras seriam sentidas, posteriormente, nos anos 90 com a emergência da pirataria que surgiu no mundo oriental, e rapidamente adaptou-se a realidade brasileira.

Sobre o cenário atual Midani não poupou comentários. Para ele, os inimigos das gravadoras são os fabricantes de hardwares e softwares, e não a juventude, que apenas usa os meios disponíveis. Segundo Midani, o artista já consagrado não é tão prejudicado pelos downloads gratuitos, como os artistas novos. O motivo do problema, para os iniciantes, seria a ausência do retorno financeiro do primeiro disco, que serviria para o financiamento dos próximos. André Midani também falou sobre a democratização das possibilidades de gravação, e a proliferação de músicas e produções ruins, observadas nos últimos anos. “Antigamente o artista fazia show para vender disco. Hoje ele faz disco para vender show”, a respeito das consequências dos downloads ilegais. Sobre o que pode acontecer, Midani especulou que o direito autoral pode desaparecer, por influência da cultura árabe. “O futuro sempre tem razão”, “A revolução começará amanhã, com essa geração”, finalizou profeticamente.

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Arte.mov 2009

Posted in Arte.mov 2009 with tags , , , , on dezembro 2, 2009 by tvweb100recurso

Culture Robot 4.0 – Conexão urbana 

O projeto tem objetivo de discutir as dicotomias presentes entre o universo individual e o coletivo. Os conceitos de público e privado e as fronteiras mentais são abordados por meio de um processo de workshops e uma vídeo-instalação interativa. A vivência e a experimentação de narrativas múltiplas e simultâneas dentro do espaço urbano podem ser observadas no “Culture Robot 4.0”.

 O espaço urbano é o plano de atuação da fórmula imagem+ação=imaginação. Nas cidades a subjetividades colidem a todo momento, não somente no encontro entre sujeitos, mas nas interpolações de signos de expressão particulares que emitem a experiência do inconsciente coletivo através de um fluxo de informações.

Os avatares-robôs traçam trajetórias que desencadeiam a projeção de narrativas particulares feitas nas ruas. O projeto visiona a criação de um processo aberto e coletivo em busca da construção de novas cartografias urbanas – as psicogeografias.

Arte.mov 2009

Posted in Arte.mov 2009 with tags , , , on dezembro 2, 2009 by tvweb100recurso

Mostra Pocket Films –

Celulares como forma de expressão

Há seis anos, os telefones celulares da França foram equipados com câmeras. Em 2005, o Forum des Images criou o Pocket Films Festival, em parceria com o SFR, para explorar o potencial dessa nova ferramenta de comunicação como meio inovador de expressão artística agora disponível ao público. Reconhecido hoje em dia ao redor do mundo por seu esforço pioneiro e pela expertise na pesquisa de criação audiovisual com tecnologias móveis, o Forum des Images chega à sexta edição do Pocket Films. Seus vídeos foram exibidos no 4º Arte.mov, destacamos “Dominó”, uma animação belga, curta, sem diálogos, feita por Sandy Claes e Daan Wampers. E “Garota Chuvosa”, de Jérôme Genevray, França, com duração de dois minutos… “Uma fábula com acidez”.

Arte.mov 2009

Posted in Arte.mov 2009 with tags on dezembro 1, 2009 by tvweb100recurso

O meio é uma viagem

Se o meio é a mensagem, como dizia o acadêmico canadense Marshall Mcluhan, as mídias móveis são tecnologias que mudam constantemente os seres humanos, pelo seu modo direto e simplificado de produção de conteúdo. Elas dizem sobre um mundo que se transforma instantaneamente sobre o discurso da democratização das possibilidades sociais. Diante disso, o 4º Festival Internacional de Arte em Mídias Movéis, o Artemov, foi um espaço de reflexão sobre a experimentação artística e as transformações que acontecem hoje na sociedade e no comportamento das pessoas.

“E eu viajo para conhecer minha geografia”. Essa é uma frase que revela o espírito do evento que ocorreu no mês passado na capital mineira. A geografia é o estudo da Terra. Viajar é sair de um lugar habitual e partir em direção a outro. Se vivemos em uma aldeia global, como acreditava McLuhan, viajar para conhecer é algo que, atualmente, torna-se cada vez mais simples. Estamos em rede, queiramos ou não. Somos bilhões, plurais, diversos, quiçá divergentes, mas vivemos em um mesmo planeta interligado. A humanidade é diferente em cada ser humano, em cada grupo. Um desses grupos organizou, promoveu e participou do Artemov no intuito de ampliar e levar a um público diverso o acesso ao debate em torno de questões extremamente atuais. Tudo isso tendo em vista o potencial de aplicação social das tecnologias midiáticas móveis.

Eletronika 2009

Posted in Eletronika 2009 with tags , on novembro 25, 2009 by tvweb100recurso

Meninos e menina –

Quem são as Garotas Suecas

Salada musical

O som das Garotas Suecas é facilmente definido como uma mistura de rock de garagem, soul e R&B. As músicas são curtas, simples e alegres, e convidam o ouvinte a dançar ao som das guitarras e dos teclados que, logo na primeira audição, lembram as canções de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

As letras geralmente versam sobre garotas e carros, ou melhor, “carangos”, como é dito em Acho que estou me tornando um zumbi e Difícil de domar, temas que são comuns no rock nacional dos anos 60. Nesse sentido, pode se fazer uma comparação com o passado. A letra de Codinome Dinamite apresenta uma construção que se assemelha bastante às das canções da Jovem Guarda. O caráter explosivo e aventureiro, que pede uma garota ao lado (“Garota, escute com cuidado… / Sou osso duro de roer! / E se eu te agarro pela noite eu largo em pleno amanhecer”); as imagens que remetem à mente com gírias como “brasa” (“Mas quem acompanha o Homem Brasa é a Garota Explosão”), que lembram É proibido fumar (“Do beijo sai faísca”); o interesse pela diversão despojada e embalada por automóveis. São construções de fácil interpretação, e combinam com o objetivo da banda, que é divertir despretensiosamente as pessoas.

Mas a banda também se deixa influenciar pelo que vem de fora, como Rolling Stones e Aretha Franklin. O equilíbrio entre influência da cultura nacional e estrangeira é um ponto saudável, pois mostra a valorização de diferentes formas de expressão musical. “Ainda que o nosso som seja baseado no rock, sentimo-nos profundamente ligados à música e à cultura brasileira de um modo geral”, explica o vocalista Guilherme Saldanha. Algo que reforça isso é o fato de a banda cantar em português. E toda essa mistura de estilos musicais resultou em melodias assobiáveis e refrões pegajosos, que vêm atraindo cada vez mais fãs para a banda.

Pé no passado, olho no presente

Soando como um conjunto musical de quarenta anos atrás, as Garotas Suecas tem o perfil de uma banda do século XXI. Isso porque sabe utilizar a internet para se promover, e deve muito a ela seu sucesso. Em sua página do MySpace, o grupo vende suas músicas e camisetas personalizadas. Quem visita a página pode ainda ouvir as canções da banda na íntegra. Dessa forma, o sexteto paulistano divulga seu trabalho a um incalculável número de pessoas, para qualquer lugar do mundo, e ainda pode lucrar através da internet, seja pelos produtos em si, seja pelo público que é atraído para os shows.

Se dependesse de toda a burocracia das gravadoras, talvez não tivessem tido a oportunidade de serem apontados pelo site da revista americana SPIN como uma das “bandas mais quentes” do famoso festival texano “South by Southwest”, que reúne grupos independentes de todo o mundo, ou ganhado destaque na revista nova-iorquina Time Out. E, mesmo no Brasil, provavelmente não teriam alcançado o prestígio atual, ainda mais com as gravadoras investindo em bandas emo, cuja qualidade é, digamos, duvidosa.

E no futuro também

Após o EP Dinossauros, as Garotas Suecas têm como prioridade o lançamento de um álbum “cheio” até o final de 2009. Sobre a possibilidade de assinar com uma gravadora, Irina Bertolucci, tecladista do grupo, afirma que a banda não deseja assinar, necessariamente, com um grande selo. Segundo Saldanha, o disco já tem até nome: A Escaldante Banda do seu Tião Brilhantina. Ele diz ainda que será “uma espécie de Sgt. Peppers tropical escrito e gravado em 2009”. Para entender essa definição, é esperar pra ver. Ou melhor: ouvir.

Para saber mais:

http://www.myspace.com/garotassuecas

http://twitter.com/garotas_suecas

http://www.lastfm.com.br/music/Garotas+Suecas

Eletronika 2009

Posted in Eletronika 2009 on novembro 13, 2009 by tvweb100recurso

E já que o assunto é indústria e download…

Trailer do documentário “I Need That Record: The Death (or Possible Survival) of The Independent Record Store”, do americano Brendan Toller, que trata do fechamento das lojas independentes de discos, fato relacionado à crise da indústria fonográfica e ao download gratuito de músicas.

Marketing Cultural

Posted in Eletronika 2009 on novembro 12, 2009 by tvweb100recurso

Valor cultural

Desde o renascimento, a cultura ocidental precisa de investimentos. O tempo passou, mas a produção cultural sempre necessitou de auxílio financeiro. Na atualidade não seria diferente, o que muda é o conceito. Cada vez mais a cultura tem sido pensada como meio de difusão, e cresce ano a ano o número de empresas que investem em produções culturais. Essa tendência é denominada Marketing Cultural. Os Festivais culturais Eletronika e Arte.mov encontraram apoio significativo nas empresas Vivo e Usiminas (Eletronika).

Os meios são diversos, mas o objetivo é especifico: atingir o público alvo de forma a atender os planos da empresa com os recursos disponíveis. Marketing Cultural é toda ação que usa a cultura como veículo de comunicação para a difusão de nome, marca, imagem ou produto de uma empresa patrocinadora. Inovação é a fórmula predominante dessas ações de marketing. O que está em questão é a empresa, com sua identidade e objetivos, e seu público alvo, que precisa ser conquistado. As empresas patrocinam projetos culturais não por caridade, mas sim para obter retorno.

Os motivos que impulsionam o aumento das ações de Marketing Cultural são três exigências do mercado: a necessidade de diferenciação das marcas em um contexto capitalista de competitividade acirrada, a diversificação do mix de comunicação das empresas para melhor atingir seu público e a busca de um posicionamento socialmente responsável. Quando patrocina projetos culturais a empresa se diferencia das outras. Ela amplia suas relações comunicacionais com seu público alvo e passa a impressão de que não age apenas em função da lucratividade. O Marketing Cultural pode ser visto como uma oportunidade para as empresas participarem do processo de incremento e conservação dos valores culturais de uma sociedade. E também como um meio de obtenção de benefícios fiscais.

As leis de incentivo à cultura podem ser federais, estaduais ou municipais. Funcionam no intuito de atrair investimentos privados para a cena cultural. Primeiramente, o órgão do governo responsável pela aplicação da lei precisa aprovar o projeto apresentado para que ele se beneficie da lei de incentivo. Depois da aprovação, o produtor cultural, que pode ser o próprio artista, procura uma empresa que deseje patrocinar seu projeto. Acertado o patrocínio, a empresa investe dinheiro na realização cultural. Esse capital investido voltará para a empresa na forma de abatimento fiscal, quando ela for pagar seus tributos, como Imposto de Renda, IPTU, ou ICMS. Isso tudo dependendo da instância, federal, estadual ou municipal, e da lei utilizada.